Preço no chute derruba a margem. Veja o método em quatro componentes — insumos, hora clínica, custos indiretos e margem — para definir preços que dão lucro de verdade.
Existem três jeitos de definir um preço em odontologia: copiar o consultório da esquina, cobrar o que "parece justo" ou calcular. Os dois primeiros são chute com nome bonito — e chute erra. O terceiro dá trabalho uma vez e sustenta a clínica para sempre.
Por que preço no chute custa caro
O preço copiado ignora que o custo do vizinho é diferente do seu: o aluguel dele, a equipe dele, o tempo de cadeira dele. Você acaba ancorando o seu preço no custo de outra pessoa. Quando a conta não fecha, a clínica compensa vendendo mais volume — e trabalha mais para lucrar menos.
Os quatro componentes de um preço saudável
Todo preço que dá lucro é a soma de quatro pedaços. Falta um, a margem some.
- Insumos: tudo que é consumido no procedimento — material, descartáveis, itens de laboratório.
- Hora clínica × tempo de cadeira: o custo fixo de operar o consultório durante o procedimento.
- Custos indiretos e comissão: taxa da maquininha, imposto e a comissão do profissional, quando houver.
- Margem de lucro: o que sobra para reinvestir e remunerar o dono. Preço sem margem é preço de custo.
Passo a passo
- Liste os insumos do procedimento e some o custo de cada um.
- Multiplique a hora clínica pelo tempo médio de cadeira daquele procedimento.
- Some comissão do profissional e a fatia de taxas e impostos.
- Sobre esse custo total, aplique a margem que a clínica quer praticar.
Exemplo: uma restauração em resina
Suponha uma hora clínica de R$ 86 e um procedimento de 40 minutos de cadeira:
- Insumos (resina, ácido, adesivo, descartáveis): R$ 28
- Hora clínica: R$ 86 × 40/60 ≈ R$ 57
- Taxas e impostos estimados: R$ 12
- Custo total do procedimento: ≈ R$ 97
Com uma margem de 40%, o preço saudável fica em torno de R$ 136. Cobrar R$ 90 "porque é o preço da região" não é desconto: é atender no prejuízo, R$ 7 abaixo do próprio custo.
Reveja os preços a cada seis meses
Custo de material sobe, aluguel reajusta, a ocupação da agenda muda. Uma tabela de preços que não é revisada envelhece e corrói a margem em silêncio. Marque uma revisão semestral — ou use um sistema que recalcula quando o custo muda.
Na Resyn, você vincula os insumos do estoque a cada procedimento e a margem real aparece ao lado do preço, atualizada sozinha. Quando o custo de um material muda, todos os procedimentos que usam aquele material acusam na hora.
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Qual margem de lucro é adequada para procedimentos odontológicos?+
Não existe número único: depende do posicionamento da clínica, do custo local e do procedimento. O importante é que a margem seja definida sobre o custo real (insumos + hora clínica + taxas), e não sobre um preço copiado do concorrente. Faixas de 30% a 60% são comuns, mas o cálculo do custo é o que garante que ela seja real.
Posso simplesmente seguir a tabela do meu convênio ou da região?+
Como referência de mercado, sim; como base de preço, não. A tabela da região reflete o custo médio de outras clínicas, não o seu. Use-a para se posicionar, mas parta sempre do seu custo real para saber se aquele valor dá lucro ou prejuízo para você.
Como precificar procedimentos com tempo de cadeira muito variável?+
Use o tempo médio real, não o do dia bom. Se a variação for grande (como em cirurgias), trabalhe com faixas de preço por complexidade. O sistema pode guardar o tempo padrão de cada procedimento para o cálculo ficar consistente.