Planejamento digital do sorriso: o que é e como fazer no consultório, passo a passo
O que é o planejamento digital do sorriso, quais fotos tirar, as linhas e as medidas que importam, como mostrar ao paciente sem prometer resultado e o que mandar ao laboratório. Dá para fazer sem scanner, com a foto do celular.
Planejamento digital do sorriso é desenhar a proposta de tratamento em cima da foto do paciente, com linhas de referência e medidas, antes de tocar no dente. Serve para você decidir o caso, para o paciente enxergar a proposta no próprio rosto e para o laboratório entender o que você planejou.
Não precisa de scanner nem de câmera profissional: uma foto boa do rosto sorrindo já basta. Abaixo, o protocolo passo a passo e, no fim, como fazer na ficha do paciente na Resyn.
De onde vem o nome, e a sigla DSD
Muita gente conhece esse planejamento pela sigla DSD, de Digital Smile Design, o protocolo apresentado pelo Dr. Christian Coachman e colegas. O texto em português de 2012, de Coachman, Calamita e Schayder, está no site oficial do DSD e descreve a técnica como a "colocação de linhas e desenhos digitais sobre fotos de face e intraorais do paciente, seguindo uma sequência específica". Ele também avisa que "a técnica é simples e não exige equipamentos ou softwares especiais": até um iPhone serve para as fotos, e o desenho pode ser feito no PowerPoint ou no Keynote.
Hoje, DSD e Digital Smile Design também são o nome da empresa fundada pelo Dr. Coachman. Planejamento digital do sorriso é o nome genérico, em português, para esse tipo de trabalho. A Resyn usa o nome genérico e não tem ligação com o Dr. Coachman nem com a empresa dele.
Para que serve no consultório
- Para você decidir o caso. Linha e medida na foto mostram o que o olho se acostuma a não ver: a linha média desviada, o lateral largo demais, a borda dos dentes que não acompanha o lábio.
- Para o paciente entender. Ele vê a proposta no rosto dele, e não num caso de revista. A conversa sobre o tratamento fica concreta.
- Para o laboratório não adivinhar. O protético recebe o que você planejou, com medida e cor, em vez de uma descrição por telefone.
- Para a equipe falar a mesma língua. O texto de 2012 destaca a comunicação entre as especialidades: quem faz cirurgia, ortodontia e restauração olhando o mesmo desenho.
Do que você precisa
O protocolo original pede três fotos: "foto de face com sorriso amplo e dentes entreabertos; foto de face em repouso; e foto intraoral do arco superior". Para começar, uma basta: o rosto inteiro, de frente, sorrindo. A do celular serve. Cuide de quatro coisas:
- Cabeça reta, olhando para a câmera, sem virar o rosto.
- Luz uniforme, sem sombra forte de um lado só.
- O rosto inteiro na foto: as pupilas precisam aparecer, porque é por elas que passa a primeira linha.
- A foto original da câmera. A que passou pelo WhatsApp chega comprimida e mede com menos precisão.
Scanner intraoral não é necessário para planejar sobre a foto, que é um trabalho em 2D. Ele entra quando o fluxo é 3D, com modelo digital e fresagem.
Passo a passo do planejamento
1. A linha horizontal, pelas pupilas
A primeira linha passa pelo centro das duas pupilas. É ela que define o que é "reto" naquele rosto. Um erro comum é usar a borda da foto como referência: a borda depende de como a câmera estava, e as pupilas são do paciente.
2. A linha média do rosto
Depois, uma linha em pé, perpendicular à horizontal, descendo pelo meio do rosto. As duas formam uma cruz, que é o ponto de partida do protocolo original.
3. A linha média dos dentes
A terceira linha passa entre os dois incisivos centrais superiores. Comparada com a linha média do rosto, ela mostra se há desvio e de quanto: em milímetro, quando a foto está medida, e em grau, quando a linha dos dentes está inclinada.

4. Uma medida real, uma vez
Foto não tem escala: a mesma boca fotografada de perto e de longe dá dois tamanhos diferentes. Por isso a medida em milímetro depende de uma medida conhecida. Você mede um dente do paciente, informa o número, e a foto passa a medir. O texto de 2012 usa o comprimento do incisivo central medido no modelo; a largura do central medida com paquímetro também serve.
5. A proporção entre os dentes
A primeira proporção é a do próprio central: largura dividida pelo comprimento. No texto de 2012, o retângulo de referência do central tem 80%. A segunda é entre vizinhos, vista de frente: o lateral em relação ao central, e o canino em relação ao lateral. Na Resyn, a grade marca a faixa de 60 a 80% e traz modelos prontos: RED de 70%, proporção áurea de 62% e dentes iguais.

Trate esses números como referência de população, e não como meta: o formato do rosto não decide sozinho o formato do dente, e a indicação é sua. É a linha entre a ferramenta que mede e a que conclui, explicada no artigo sobre IA na odontologia.
6. O desenho da proposta
Desenhe o contorno de cada dente respeitando a cruz do rosto e a proporção escolhida, ou parta de uma biblioteca de formas, como o próprio protocolo sugere. Duas linhas opcionais ajudam: a borda do lábio superior mostra quanta gengiva aparece no sorriso, e a curva das bordas dos dentes de cima, comparada com o lábio de baixo, mostra o arco do sorriso.
7. A cor
Escolha a cor na cadeira, com a escala física. A tela não mostra cor de dente com fidelidade: depende da luz da sala e da configuração de cada aparelho. Na simulação, a cor serve para conversar e para registrar o nome do tom (A2, B1, BL2), que é o que o laboratório entende.
Como mostrar ao paciente sem prometer resultado
A simulação é o que mais ajuda o paciente a decidir e o que mais pede cuidado. O Código de Ética Odontológica trata como infração "exagerar em diagnóstico, prognóstico ou terapêutica" (art. 11, III) e "deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento" (art. 11, IV). Um sorriso novo mostrado sem contexto é lido pelo paciente como promessa.
- Diga com todas as letras que é uma simulação para conversar, e não o resultado.
- Mostre em partes: o rosto como está, depois as linhas, depois a proposta.
- Use a comparação entre a foto de hoje e a simulação para explicar o que muda, e fale de limites, riscos e alternativas.
- Se entregar a imagem, que ela leve escrito que é simulação. É ela que vai circular no WhatsApp da família.
Na rede social, o cuidado é maior. A Resolução CFO 196/2019 autoriza divulgar imagens do diagnóstico e da conclusão do tratamento quando quem divulga é o dentista responsável pelo procedimento, com autorização prévia do paciente por termo de consentimento, sempre com o nome e o número de inscrição do profissional. E mantém proibidas as expressões que caracterizem "a promessa de resultado". Simulação não é conclusão de tratamento: postada como se fosse resultado, ela pode ser lida como promessa de resultado, que a norma proíbe. Na dúvida, consulte o seu CRO. O artigo sobre antes e depois e o que o CFO permite detalha as autorizações.
O que mandar para o laboratório
O planejamento em 2D não vira peça sozinho. Ele guia o protético no enceramento de diagnóstico, e o enceramento vira o mock-up que o paciente prova na boca antes dos preparos. É o caminho descrito no texto de 2012: o enceramento guiado pelas medidas do planejamento e o mock-up como "teste intraoral".
Para o protético não precisar adivinhar, mande junto:
- A foto original e a imagem do planejamento, com as linhas.
- As medidas que importam, em milímetro: largura e comprimento dos dentes que vão mudar e o desvio da linha média, se houver.
- A cor escolhida, pelo nome da escala.
- As suas observações: o que não pode mudar, o material, o prazo e o que o paciente espera do sorriso.
- O nome do paciente e o seu, para o trabalho não se misturar com outro.
Pelo WhatsApp, envie a foto como documento, e não como foto: a imagem enviada como foto costuma ser comprimida pelo aplicativo e perde detalhe.
Três jeitos de fazer
- Em slides, no PowerPoint ou no Keynote. É o jeito do protocolo original e não custa nada além do programa. Em compensação, tudo é manual (calibrar a régua, copiar as linhas de slide em slide, montar o PDF), e a foto do paciente fica numa pasta fora do prontuário.
- Num aplicativo próprio de planejamento. Traz as ferramentas prontas. Em geral é um programa à parte do sistema da clínica, com outra assinatura e outro lugar para guardar a foto do paciente.
- Dentro do sistema da clínica. O planejamento fica na ficha do paciente, junto da agenda, do prontuário, do orçamento e do financeiro. É o jeito da Resyn.
Com scanner intraoral e laboratório digital existe ainda o planejamento em 3D, no programa do scanner ou do CAD. É outro fluxo: a Resyn não faz planejamento em 3D, e o trabalho dela é sobre a foto.
Os programas de cada jeito, com o que cada um faz bem, onde roda e quanto custa, estão comparados em software de planejamento digital do sorriso: as opções em 2026.
Erros que mais aparecem
- Traçar a horizontal pela borda da foto, e não pelas pupilas.
- Usar a foto que passou pelo WhatsApp quando a original existe.
- Tratar como medida um número que é estimativa, como a média de livro digitada sem medir.
- Transformar referência em meta: proporção de população não é receita para aquele rosto.
- Escolher a cor olhando a tela.
- Postar a simulação como se fosse resultado.
- Deixar a foto do paciente solta na galeria do celular. O lugar dela é a ficha do paciente, com acesso restrito.
Como fazer na Resyn
O Planejamento Digital do Sorriso da Resyn é o módulo em que o dentista desenha a proposta do sorriso em cima da foto do paciente, mede os dentes em milímetro e mostra a simulação na mesma consulta, dentro da ficha do paciente. A Resyn é um sistema de gestão para clínicas odontológicas, com agenda, prontuário, orçamentos e financeiro no mesmo lugar.
Ele abre no navegador do celular, do tablet ou do computador, sem instalar nada, e salva sozinho enquanto você trabalha. O caminho é este:
- Na ficha do paciente, abra a aba Sorriso e toque em + Nova foto. Diga o que a foto é (Face sorrindo, Face em repouso, Intraoral frontal ou Intraoral oclusal) e se ela vem da câmera, da galeria ou de uma foto que já está na ficha. A foto entra na lista da aba: toque nela para abrir o editor. Abaixo de 1200 pixels de largura, a Resyn avisa que a medida perde precisão.
- No painel Linhas, use a ferramenta Linha e, em Nome na foto, escolha na lista "Linha horizontal (pupilas)", "Linha média do rosto" e "Linha média dos dentes". Com o nome, a linha entra nas contas, e o desvio aparece no bloco Medidas.
- Mais abaixo, no mesmo painel, em Medida da foto, toque em Medir, passe a régua sobre o dente que você mediu e digite quanto ele mede. A medida fica guardada, e tudo passa a sair em milímetro.
- Contorne um dente com o Contorno para ver largura, comprimento e proporção. A ferramenta Proporção põe a grade sobre os dentes.
- Desenhe a proposta: recorte o próprio dente do paciente e remodele, clareie escolhendo um tom da cartela, puxe a margem da gengiva ou traga um contorno da faixa Formas ou uma faceta da faixa Fotos.
- Toque em Apresentar ao paciente: a foto vai para a tela cheia, e o botão Antes e depois divide a imagem com uma divisória que se arrasta, da foto de hoje para a proposta.
- No menu Baixar, Esta imagem sai com o nome do paciente, a marca da sua clínica e a frase "Simulação para conversar sobre o tratamento. Não é promessa de resultado." O PDF do laboratório leva a imagem, a cor escolhida e, com a foto medida, a largura e o comprimento de cada dente em milímetro, mais as observações que você escrever para o protético. Com duas fotos ou mais, o caso inteiro sai em slides em PDF, em imagens (ZIP) ou em PPTX, que abre no PowerPoint e no Keynote. No celular, o arquivo abre o compartilhar do aparelho, para você escolher o WhatsApp.
Cada foto é um planejamento, e um paciente pode ter várias. O Planejamento Digital do Sorriso faz parte do plano Max da Resyn e está incluído no teste grátis de 14 dias, sem cartão.
Faça o seu no próximo caso
Veja o caso de demonstração, com as linhas, a proporção e a simulação, e como o planejamento fica na ficha do paciente, no mesmo sistema da agenda, dos orçamentos e do financeiro. Dá para testar grátis por 14 dias, sem cartão.
Ver o Planejamento Digital do Sorriso →Fontes (consultadas em 27/09/2026)
- Coachman C, Calamita M, Schayder A. Digital smile design: uma ferramenta para planejamento e comunicação em odontologia estética, 2012 (PDF), no site oficial do DSD
- Our Founder, Digital Smile Design: o Dr. Christian Coachman fundou a empresa e criou o método
- Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO-118/2012 (PDF), Conselho Federal de Odontologia
- Resolução CFO-196/2019, Conselho Federal de Odontologia
Perguntas frequentes
O que é planejamento digital do sorriso?+
É desenhar a proposta do tratamento em cima da foto do paciente, com as linhas de referência do rosto e as medidas dos dentes, antes de começar. Serve para o dentista decidir o caso, para o paciente enxergar a proposta no próprio rosto e para o laboratório entender o que foi planejado.
Planejamento digital do sorriso e DSD são a mesma coisa?+
Falam do mesmo tipo de trabalho. DSD (Digital Smile Design) é o protocolo apresentado pelo Dr. Christian Coachman e colegas, e também é o nome da empresa que ele fundou. Planejamento digital do sorriso é o nome genérico, em português. A Resyn usa o nome genérico e não tem ligação com o Dr. Coachman nem com a empresa dele.
Quais fotos preciso tirar?+
O protocolo original pede três: o rosto sorrindo com os dentes entreabertos, o rosto em repouso e a intraoral do arco superior. Para começar, basta o rosto inteiro, de frente, sorrindo, com a cabeça reta e luz uniforme. Use a original da câmera: a que passou pelo WhatsApp mede com menos precisão.
Preciso de scanner intraoral?+
Não para planejar sobre a foto, que é um trabalho em 2D. O scanner entra no fluxo 3D. Na Resyn o planejamento é feito na foto: ela não faz planejamento em 3D nem exporta arquivo STL.
Dá para fazer no celular?+
Dá. A foto do celular serve, e na Resyn o planejamento abre no navegador do celular, do tablet ou do computador, sem instalar nada. Fica salvo na ficha do paciente: começou num aparelho, continua no outro.
A simulação garante o resultado?+
Não. A simulação serve para conversar com o paciente sobre a proposta. O Código de Ética Odontológica trata como infração exagerar em prognóstico, e a Resolução CFO 196/2019 proíbe expressões que caracterizem promessa de resultado. Na Resyn, toda imagem baixada sai com a frase "Simulação para conversar sobre o tratamento. Não é promessa de resultado."
Posso postar a simulação no Instagram?+
A Resolução CFO 196/2019 autoriza divulgar imagens do diagnóstico e da conclusão do tratamento, com autorização prévia do paciente, e proíbe expressões que caracterizem promessa de resultado. Simulação não é conclusão de tratamento: publicá-la como resultado é arriscado. Na dúvida, consulte o seu CRO antes.
Como mandar o planejamento para o laboratório?+
Mande a foto original, a imagem do planejamento, as medidas em milímetro dos dentes que vão mudar, a cor pelo nome da escala e as suas observações. Pelo WhatsApp, envie como documento para não perder qualidade. Na Resyn, o menu Baixar gera o PDF do laboratório, com a imagem, a cor escolhida, as medidas de cada dente (com a foto medida) e as suas observações.
Serve só para lente de contato e faceta?+
Não. Serve para qualquer tratamento que mude o sorriso, como clareamento, restaurações, cirurgia de gengiva e ortodontia. O texto de 2012 cita o enceramento guiado pelo planejamento como referência para procedimentos cirúrgicos, ortodônticos e restauradores.
A Resyn é só um app de planejamento do sorriso?+
Não. A Resyn é um sistema de gestão para clínicas odontológicas: agenda, prontuário, orçamentos e financeiro. O Planejamento Digital do Sorriso é um dos módulos, no plano Max, e fica na ficha do paciente.
