Antes e depois na odontologia: o que o CFO permite publicar (e o que dá processo)
Foto de antes e depois pode ser publicada? O que diz o Código de Ética Odontológica, quais autorizações são obrigatórias e como divulgar resultado sem virar réu no conselho.
Poucas dúvidas travam tanto o marketing de uma clínica quanto essa. De um lado, o resultado do seu trabalho é o melhor argumento que existe. Do outro, o Código de Ética Odontológica tem regras claras sobre divulgação, e o conselho fiscaliza. O resultado prático é que muita clínica boa fica sem publicar nada por medo, e muita clínica publica errado por desinformação.
Este texto separa o que a norma diz do que virou lenda de grupo de WhatsApp. Ele não substitui a orientação do seu CRO regional nem de um advogado, mas evita os erros mais comuns.
O antes e depois é proibido?
Não é uma proibição absoluta, e é aí que mora a confusão. O que o Código de Ética Odontológica veda é a divulgação que prometa resultado, que garanta sucesso, que sensacionalize ou que induza o público a erro. A imagem em si não é o problema: o problema é o que ela promete.
Na prática, a mesma foto pode ser aceitável ou não dependendo da legenda. "Resultado garantido em uma sessão" transforma um registro clínico em promessa. "Caso individual, resultado varia conforme avaliação" transforma a mesma imagem em informação.
As três autorizações que você precisa ter
Antes de qualquer publicação, três documentos precisam existir e estar guardados. A ausência de qualquer um deles transforma um post bem-intencionado num problema jurídico.
- Autorização de uso de imagem do paciente, por escrito, específica para divulgação. Assinar o termo de tratamento não autoriza publicar a foto: são coisas diferentes, e a autorização precisa dizer onde a imagem vai aparecer.
- Consentimento do próprio procedimento (TCLE), que é o documento clínico e nada tem a ver com o marketing, mas cuja ausência já é problema por si só.
- Registro de que aquela imagem é daquele paciente, naquela data, naquele procedimento. Foto solta em pasta de celular não prova nada se alguém questionar.
A autorização de imagem precisa ser específica quanto aos canais. Um termo genérico de "autorizo o uso" é frágil: o ideal é dizer se vale para redes sociais, site, material impresso e anúncio pago, e por quanto tempo. E ela é revogável — o paciente pode mudar de ideia, e você precisa ter como retirar a peça do ar.
Os erros que mais aparecem
- Publicar com o rosto parcialmente coberto achando que isso dispensa a autorização. Não dispensa: se a pessoa é identificável por qualquer elemento, a regra vale.
- Usar a foto de um caso para ilustrar outro procedimento. Isso é induzir a erro, e é o tipo de coisa que gera denúncia de colega.
- Legendar com valores e condições de pagamento junto do resultado. Preço em peça de divulgação de procedimento é terreno perigoso.
- Fotos com iluminação, ângulo ou maquiagem diferentes entre o antes e o depois. Além de antiético, é facilmente percebido e destrói a credibilidade.
- Deixar a autorização "de boca". Se o paciente sair insatisfeito da clínica um ano depois, é a sua palavra contra a dele.
Como fotografar para que a comparação seja honesta
Uma comparação só é justa se a única variável for o tratamento. Isso significa padronizar o que dá para padronizar: mesma distância, mesma altura de câmera, mesma iluminação, mesmo fundo, mesma expressão. Sem isso, você não está mostrando um resultado, está mostrando uma foto melhor.
Vale a pena marcar um ponto no chão onde o paciente fica em pé e uma altura fixa para o celular. Parece exagero, mas é o que separa um registro clínico de um post que qualquer colega consegue desmontar.
O antes e depois também é prontuário
Muita clínica trata a foto como material de marketing e esquece que ela é, antes disso, documentação clínica. As imagens de evolução de um tratamento pertencem ao prontuário do paciente, e é ali que elas precisam estar guardadas — não numa pasta do celular de quem tirou.
Isso muda a forma de organizar. As fotos precisam estar vinculadas ao paciente, com data, e acessíveis a quem tem permissão para ver o prontuário. Dado de saúde guardado em galeria de celular é um problema de LGPD esperando para acontecer.
Antes e depois no lugar certo
Na Resyn, o antes e depois nasce dentro do prontuário do paciente: as fotos ficam vinculadas à ficha, com data, e a montagem sai pronta nos três formatos do Instagram com a marca da sua clínica. Você publica a partir do registro clínico, não de uma pasta solta.
Conhecer o Facegrama →Um checklist antes de apertar publicar
- A autorização de imagem está assinada e guardada, e diz que vale para este canal?
- A legenda informa em vez de prometer? Há alguma palavra que soe como garantia?
- As duas fotos foram feitas nas mesmas condições?
- A imagem está no prontuário do paciente, e não só no celular?
- Se o paciente pedir para tirar do ar amanhã, você consegue?
Se as cinco respostas forem sim, publicar deixa de ser um risco e passa a ser o que deveria ser desde o começo: mostrar o seu trabalho.
Perguntas frequentes
Posso publicar antes e depois se o paciente autorizar por WhatsApp?+
É melhor que nada, mas é frágil. O ideal é uma autorização escrita e assinada, que diga quais canais estão autorizados e por quanto tempo. Uma conversa pode ser apagada, e a prova do consentimento é sua responsabilidade, não do paciente.
Preciso de autorização se eu cobrir os olhos do paciente?+
Sim. Se a pessoa continua identificável por qualquer elemento (formato do rosto, tatuagem, contexto), a autorização é necessária. Tarja não é anonimização.
Onde as fotos de antes e depois devem ser guardadas?+
No prontuário do paciente, vinculadas à ficha e com data, com acesso restrito a quem tem permissão. Imagem clínica é dado de saúde e não deve ficar em galeria de celular nem em pasta compartilhada aberta.
O paciente pode voltar atrás depois de autorizar?+
Pode. O direito de imagem é um direito de personalidade e a autorização é revogável. Por isso vale ter o material organizado: você precisa conseguir localizar e retirar as peças se ele pedir.